Qualquer acorde pode ser reordenado de modo a que uma nota diferente fique em baixo. Essas reordenações — as inversões — são a diferença entre saltitar pelo teclado e deslizar entre acordes quase sem mover a mão.
Toque C maior da forma como a maioria das pessoas aprende: C–E–G, com a fundamental C em baixo. Isso é a posição fundamental. O acorde recebe o nome dessa nota grave e tudo o resto se empilha em terças por cima dela.
A posição fundamental soa sólida e assente, o que é exatamente a razão por que os iniciantes abusam dela. Salte de C para F para G tudo na posição fundamental e a mão anda aos pulos enquanto a música soa aos solavancos. As inversões resolvem isso.
Pegue no C que está na base de C–E–G e suba-o uma oitava: E–G–C. As mesmas três notas, o mesmo acorde — mas agora a terça (E) é a nota mais grave. Isto é a primeira inversão, escrita como C/E ("C sobre E").
A notação com barra lê-se sempre da mesma forma: a letra antes da barra é o acorde, a letra depois dela é a nota do baixo. C/E significa "toque C maior e ponha o E em baixo".
Suba também o E uma oitava e obtém G–C–E: a segunda inversão, ou C/G. A quinta do acorde fica no baixo. A segunda inversão tem uma qualidade ligeiramente instável, de "inclinação para a frente" — os compositores clássicos usavam-na de propósito mesmo antes das cadências.
As tríades ficam por aqui: três notas dão-lhe a posição fundamental mais duas inversões. Os acordes de quatro notas como Cmaj7 acrescentam uma terceira inversão (B–C–E–G, a sétima no baixo, escrita Cmaj7/B).
Experimente isto: toque C (C–E–G), depois F na posição fundamental (F–A–C) e depois G (G–B–D). A mão anda sempre aos pulos. Agora toque C (C–E–G), F/C (C–F–A) e depois G/B (B–D–G). Cada dedo move-se no máximo um tom inteiro. Isso é a condução das vozes — ligar acordes através dos menores movimentos possíveis.
É uma boa condução das vozes que faz com que os acompanhamentos de hinos, as baladas pop e o comping de jazz soem ligados em vez de aos saltos. Também é fisicamente mais fácil: menos distância significa menos notas erradas.
As linhas de baixo descendentes são o caso clássico: C – G/B – Am faz o baixo descer C–B–A enquanto a harmonia se mantém funcional. Vai encontrar exatamente este gesto em "Piano Man", "Let It Be" e centenas de outras canções.
As inversões também deixam o baixo contar a sua própria história por baixo de uma harmonia estática. Uma progressão como C – C/E – F ilumina-se à medida que o baixo sobe, embora só estejam envolvidos dois acordes diferentes.
Escolha um acorde por dia. Toque a posição fundamental, a primeira e a segunda inversão ao longo do teclado, dizendo a nota do baixo em voz alta. Depois pratique a passagem entre dois acordes (C e F, depois C e G) escolhendo as inversões que exijam o menor movimento da mão. Cada página de acorde deste site mostra todas as inversões com dedilhações — use-as como mapa.
Acorde de C maior com o E como nota mais grave — primeira inversão. A letra antes da barra dá o nome ao acorde; a letra depois dela indica a nota do baixo.
Não. C, C/E e C/G são todos C maior e funcionam da mesma forma do ponto de vista harmónico. A inversão muda a cor e a linha de baixo, não a identidade do acorde.
Uma a menos do que o número de notas. As tríades (3 notas) têm duas inversões; os acordes de sétima (4 notas) têm três.
Normalmente a que mantém a mão mais perto de onde já está, ou a que dá a linha de baixo que pretende. Na dúvida, minimize o movimento.